O Livro de Mórmon Desvenda o Mistério do Natal?

(Segunda Edição Ampliada) Pelo Explorado do Livro de Mórmon

George Potter

Traduzido por Elson C. Ferreira, Curitiba/Brasil, Dez/2003

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Desde que era menino, eu me maravilhara com a da história de Mateus a respeito dos reis magos. Tradicionalmente, pensa-se que havia três Magos, mas esse número não é a Bíblia que nos diz. Todos nós sabemos que algum tempo depois do nascimento de Jesus Cristo, homens sábios “vindos do leste” (Mateus 2:1) vieram a “Jerusalém”, e então continuaram seguindo uma “estrela” até que finalmente encontraram o Menino Jesus, então lhe deram presentes e adoraram-no.

Talvez você também possa achar que essa história levanta muitas questões em sua mente. Mateus escreveu que os homens sábios viram “sua estrela” e vieram “adora-lo” (Mateus 2:1). Note cuidadosamente! A história não diz que um anjo visitou-os e anunciou que a estrela indicou onde o Messias havia nascido. Nem o registro diz que eles haviam tido uma revelação ou sonho, como quando eles foram avisados num sonho de que não deviam retornar até Herodes (Mateus 2:13). Não poderia você pensar que se os magos tivessem tido tais divinas intervenções, Mateus não teria registrado esses milagres? 

Em vez disso, não é simplesmente dito que eles viram a estrela e vieram adorar o Rei dos Judeus? Nessa discussão, vamos admitir que eles não receberam este conhecimento em forma de divina inspiração, mas herdaram essa informação de tradições orais e escritas de seus antepassados. O dicionário SUD declara o seguinte a respeito dos magos: “Seu conhecimento era preciso e acurado”. (ver Mago)  Se for assim, qual era a fonte dessa acurada informação?

Saber de onde os sábios vieram pode ajudar-nos a encontrar a fonte do seu conhecimento. Há sete textos que podem ajudar-nos a apontar a origem dos magos com alto grau de certeza.  

Primeiro, eles vieram “do leste”. Na Bíblia, leste não significa a leste de Jerusalém, isto é, a Ásia Central ou China, ou qualquer outra terra na direção leste de Jerusalém. Em vez disso, é o nome de um lugar, a Arábia. No Velho Testamento os árabes eram chamados de “os Filhos do Leste” (LDS Bible Dictionary).  Talvez por essa razão os magos são tradicionalmente associados aos camelos. Vários dos filhos e netos de Abraão que nasceram de suas concubinas estabeleceram reinos na Arábia. (Ismael (Mecca), Kedar, Dumah, Dedan, Sabá, e Tema. Gênesis 25:6 declara que “Abraão enviou os filhos de suas concubinas para o leste, para a Terra do Leste”. A história conta-nos que todos estes antigos reinos são encontrados na Arábia (veja LDS Bible Maps, Ancient World at the Time of The Patriarchs).

Segundo, através da história, os israelitas consideram em alto respeito às habilidades dos mercadores árabes, e consideram estes homens de negócios como “sábios”. O estudioso bíblico James Montgomery escreveu:

Se Edom é especialmente considerada uma casa da sabedoria, nós temos que lembrar que ficava perto da grande rota de comércio do norte da Arábia e assim pode ter gozado de um privilégio em cultura tal como aquele possuído pelo sucessor de Edom, o povo Nabatean. E seus antigos vizinhos, os Minaean do norte em Midian. Além destas alusões aos Homens Sábios do Leste existem duas passagens bíblicas que numa interpretação antiga assinala um lar árabe, ou seja, Provérbios 30, e 31:1-9. Por uma construção diferente, o título do último pode ser lido, mais sensivelmente do que por construção Masoretica, “as palavras de Lemuel, rei de Massa,: i.e., a última palavra como o nome da tribo árabe ao leste da Palestina.[i]

A crença de Montegomery de que os israelitas consideravam os árabes como mercadores que possuíam sabedoria parece ser confirmada pelas palavras bíblicas de Jó, quando ele descreve seu amigo, o temanita Elifaz. (a localidade de Tema está localizada ao norte da Arábia, é um importante centro de negócios na trilha do incenso). Jó escreveu que o temanita recebeu tradições “dos homens sábios e de seus pais” (Jó 15:18). Elifaz o temanita parece ter ensinado que em tempos antigos houve um relacionamento entre sabedoria e sucesso nos negócios: “Elifaz o temanita”, disse, “Deve um homem sábio pronunciar vão conhecimento, e encher seu ventre com o vento do leste? Deve ele arrazoar com um falar inútil ?” (Jó 15:1-3). Além disso, a Bíblia declara o seguinte sobre os mercadores árabes de Teman: “Não há mais sabedoria em Teman? Pereceu o conselho do prudente? É sua sabedoria vã?” (Jeremias 49:6).

Mesmo o dom divino da sabedoria de Salomão ao parece ter sido em parte resultado de Deus o ter abençoado com seu estreito relacionamento com os árabes? Recorde como Salomão estabeleceu seu reino como o principal intermediário na trilha do incenso.  1 Reis, capítulo 10 conta seus assuntos com a rainha de Sabá, a governadora do rico reino da Arábia. Ela veio a Salomão no que nós chamamos hoje a “missão comercial”. Como resultado desta reunião, tanto como Salomão quanto o reino árabe de Sabá prosperaram.

E ela deu ao rei cento e vinte talentos de ouro, e especiarias em grande quantidade, e pedras preciosas? Não houve mais tão grande abundância de especiarias como esta que houve como esta que a rainha de Sabá deu ao rei Salomão. (1 Reis 10:10)

E o rei Salomão concedeu à rainha de Sabá todos os seus desejos, tudo o que ela pediu... Assim ela virou-se e voltou para o seu próprio país, ela e seus servos. (1 Reis 10:13)

E qual foi a linha de fundo das relações comerciais com a Arábia? “Assim o rei Salomão excedeu a todos os reis da terra em riqueza e em sabedoria” (1 Reis 10:22).

Terceiro, os magos seguiram a estrela. Em outras palavras, eles conheciam navegação estelar.  Este indício definitivamente determina que os sábios eram árabes. Navegação estelar não era um conhecimento comum no mundo antigo. Os primeiros a aprenderem essa habilidade foram os caravaneiros árabes, que usavam as estrelas para guiarem-se através da vastidão sem características marcantes dos desertos da Arábia. Este conhecimento foi mais tarde utilizado pelos capitães de navios árabes para navegar em mar aberto, os primeiros a usarem as estrelas para se guiar[ii]

Quarto, a tradição oral da Arábia meridional determina que os Magos eram daquela terra. A exploradora britânica Barbara Toy estudou as origens dos Magos traçou novamente sua jornada desde um monumento no Yemen, onde, por tradição os Magos começaram sua jornada a Jerusalém. Ela escreve:

Foi aqui que os Três Reis Magos começaram sua jornada para seguir a brilhante estrela até Belém, com seus tributos de ouro, incenso e mirra. E foi perto daqui também que se acredita que trezentos anos mais tarde os emissários da imperatriz Helena vieram procurando por ‘Sessania Adrumatorum’ – a Azzan de hoje em dia. Eles encontraram os ossos dos Magos e levaram-nos para Constantinopla, onde eles ficaram até que mais tarde foram levados para Milão, e finalmente, já no Século XX, foram levados para Colonge.[iii]

Quinto, os Magos trouxeram ouro consigo. Eles deviam ter sido ricos líderes tribais com estoque de ouro. É largamente acreditado que durante aquele período da história, o comércio de incenso havia feito da Arábia meridional a mais rica região do mundo. Ouro provavelmente negociado com os indianos em troca de incenso era abundante naquela região. Isaias fala da grande riqueza dos árabes (Sabá) notando que eles traziam consigo ouro e incenso. (Isaias 60:6).  Daniel Peterson escreveu:

“A grande riqueza dos mercadores árabes é mencionada em vários lugares na Bíblia. “Quem é que vem do deserto como pilares de fumaça, perfumados com mirra e incenso, com todos os pós dos mercadores?  Pergunte aos filhos de Salomão” (Cantares de Salomão 3:6)  Ezequiel refere-se àqueles “que colocam braceletes em suas mãos e belas coroas sobre suas cabeças” (Ezequiel 23:42).  Mercadores árabes são rotineiramente comparados no Velho Testamento com ouro e prata, incenso, especiarias, e pedras preciosas. (2 Crônicas, Isaias 60:6, Jeremias 6:29, Ezequiel 27:22)”[iv]

Sexto, os homens sábios traziam preciosos incensos consigo, especialmente mirra. Na antiguidade a única fonte destes incensos era a Arábia. O incenso era usualmente levado nas costas dos camelos para o norte. Em Gênesis nós lemos como José foi vendido por seus irmãos a uma caravana ismaelita (árabe) que levava especiarias, bálsamo e mirra (Gênesis 37:25). O estudioso SUD John Tvedtnes escreveu:

Alguns tem especulado que os homens sábios vieram da Arábia porque dois dos tipos de presentes trazidos a Belém, incenso e mirra, derivam seiva de árvores que crescem no sul da Arábia[1], e é sabido haverem possuído ouro e outros bens preciosos conseguidos no comércio de incenso.[2] Esta era a visão dos pais da igreja, tais como Justino Mártir (Dialogue with Trypho 77-78), Tertuliano (Against the Jews 9), e Epifânio (Exposition of the Faith 8).[3]

Sétimo, o Dicionário Bíblico SUD declara que os reis magos eram “igualmente... representantes de um ramo do povo do Senhor” (ver Mago). Isto pode implicar em que os magos eram judeus, ou hebreus (como é a maioria dos árabes). Registros históricos indicam que um grande número de comunidades judaicas estava localizado na Arábia, antes mesmo do tempo de Jeremias. Certamente a diáspora judaica começou bem antes do nascimento de Cristo, assim as comunidades judaicas existiram em outras localidades do império romano; entretanto, as comunidades judaicas árabes eram grandes e existiram na Arábia durante séculos antes do nascimento do Senhor.

Eu acredito que é possível concluir com um relativamente alto grau de confiabilidade que os homens sábios vieram da Arábia meridional. Sabendo isso, podemos retornar à nossa questão: “Como os reis magos obtiveram preciso a acurado conhecimento a respeito do nascimento de Cristo?” Vamos começar revendo as informações que eles possuíam.  

1)      Quando viram a estrela, eles já sabiam que era um ‘sinal’, mais que isso, ela era a “sua estrela” (Mateus 2:2).  Visto que eles eram o único povo que aparentemente conhecia as estrelas no velho mundo, eles deveriam saber ‘quando’ olhar para ela. Além disso, parece que eles tinham estado esperando por um longo tempo por esse sinal, pois quando eles o viram, “regozijaram-se com excessivamente grande alegria” (Mateus 2:10).

2)      Eles sabiam que um Rei nasceria para os “judeus” (Mateus 2:2).  Assim, eles vieram para Jerusalém e a Herodes – governador da terra dos judeus.

3)      Apesar de que eles sabiam que o menino Jesus havia nascido para os judeus, eles não sabiam a exata localização em Judá. Assim nós os vemos perguntando a Herodes, “Onde está aquele que é nascido Rei dos Judeus?” (Mateu 2:2).  Eles finalmente seguem a estrela em direção à localização do menino (Mateus 2:9).

Antes do aparecimento do Livro de Mórmon na era moderna, a cristandade não tinha explicação de como os magos árabes poderiam ter obtido este conhecimento.  Entretanto, o Livro de Mórmon provê uma simples explicação de como esse conhecimento pode ter chegado na Arábia, ou pelo menos às comunidades judaicas peninsulares.  Nós sabemos que Leí esteve a caminho de Abundância por oito anos (1 Néfi 17:4), e indubitavelmente despendeu uns poucos anos mais na Arábia meridional enquanto Néfi construía seu navio. Durante este tempo, Néfi, e provavelmente Leí também, pregaram o evangelho (D&C 33: 7,8). Possivelmente eles ensinaram exclusivamente as comunidades judaicas na Arábia, mas isto não é necessariamente o caso, já que o evangelho parece ter sido encontrado entre os árabes assim como entre os judeus. Por exemplo, Jetro, o midianita, (Mídia fica a noroeste da Arábia) portava o Santo Sacerdócio (D&C  84:6) e os árabes estavam presentes no dia de Pentecostes (Atos 2:11). Assim, não havia falta de hebreus, judeus e árabes com quem Néfi e Leí poderiam compartilhar o evangelho. 

Que novos conhecimentos Leí e Néfi levavam consigo para o sul da Arábia? No Vale de Lemuel, Leí recebeu uma revelação contendo informações a respeito do nascimento do Salvador: “Sim, e seiscentos anos depois de meu pai ter deixado Jerusalém, o Senhor Deus levantaria um profeta entre os judeus – um Messias, ou em outras palavras, um Salvador do mundo” (1 Néfi 10:4).  Certamente Leí e Néfi teriam transferido essa excitante e profunda informação às pessoas que eles converteram na Arábia. 

Sexto, nós vimos no versículo acima que Leí sabia onde o Messias haveria de nascer – “entre os judeus”. Pense nisso! A estrela teria somente que providenciar a direção – que era em direção à terra dos judeus, confirmando assim que o Messias a respeito do qual Leí havia profetizado, havia nascido.

Finalmente, Leí poderia ter ensinado os magos de que eles deveriam adorar à criança. Para os monoteístas do Velho Testamento, isto teria sido um conceito revolucionário… adorar alguém além do único Deus verdadeiro, nosso Pai Celestial. Leí sabia que Jesus seria mais do que apenas um outro profeta, ele seria o Messias, o Salvador e Redentor do mundo (1 Néfi 10:4,5). À primeira vista isto parece contradizer o que os magos disseram, “Onde está aquele que é nascido Rei dos judeus?” Isto sugere que eles estavam procurando por uma figura política. Entretanto, informaram depois que eles vieram “para adora-lo” (Mateus 2:2). Desse modo vemos que os magos devem ter tido conhecimento de que a criança era o Filho de Deus, o Messias. É interessante notar que Joseph Smith corrigiu a tradução de Mateus 2:2 como segue “Onde está a criança que é nascida, o Messias dos judeus?” Está claro na tradução de Joseph Smith que os magos sabiam que o aparecimento de uma estrela naquele ano significava que o Messias havia nascido. Este conhecimento deve ter vindo através de Leí, o qual foi ensinado pelo Senhor que “o senhor Deus levantaria a profeta entre os judeus – um Messias”.  (1 Néfi 10:4). 

John Tvedtnes sugere que nós devemos dar uma profunda estudada na palavra adorar conforme é usada em Mateus.   “Pois o termo inglês “worship” significa simplesmente ‘servir’ (sua forma original era work-ship)… Eles acreditavam que eles deveriam encontrar um rei dos judeus, e as pessoas servem ao rei. Além do mais, o termo hebreu “servo” (igual ao cognato árabe, realmente significa “escravo”) é usado tanto como “servo do rei” quanto “servo do Senhor”. Entretanto, no caso dessa passagem de Mateus nós estamos tratando da palavra grega de mais forte concordância: ‘proskuneo (pros-koo-neh’-o), verbo com as possíveis definições 

1)     beijar a terra (em direção) de alguém, em sinal de reverência; mesmo entre os orientais, especialmente os persas,  significa cair sobre os joelhos e tocar a terra com a testa como uma expressão de profunda reverência; ajoelhar-se ou se prostrar para homenagear (a alguém)  com intenção de expressar respeito ou ao fazer uma súplica ”.

Seja em grego ou em inglês (ou mesmo português) o significado da adoração em Mateus indica homens sábios árabes que vieram para adorar um divino ser. Desde tempos remotos, os árabes adoram prostrando-se sobre os joelhos e tocando o chão com suas testas. Eles mais tarde exportaram essa forma de adoração para o restante do mundo muçulmano. Os árabes também acreditam que para adorar a Deus, devemos ser seus “escravos”. Atualmente quase todos os homens árabes referem-se a si mesmos como sendo escravos ou servos de Deus. Vemos isto no atual governante da Arábia Saudita, o príncipe Abdullah, (o escravo de Deus).

O conhecimento passado pelos magos era precioso, e eles deveria ter obtido estas informações em sua terra natal, indubitavelmente a Arábia. Até esta data o mundo cristão tem somente uma explicação de como essa informação foi transferida aos antepassados dos magos. O Livro de Mórmon tem a chave disso.

 

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